domingo, 23 de maio de 2010

01) PLANO-SEQUÊNCIA (20/05/10)

Muitas vezes o conceito de plano-sequência é confundido com o de plano longo. Então para começar é importante distinguir os dois. O que caracteriza um plano-sequência não é apenas a duração que ele tem. O plano-sequência, como seu nome já diz, deve equivaler a uma sequência – ou seja uma sucessão de acontecimentos deve ser representada sem cortes. Já o plano longo é apenas um plano grande de duração acima da média.

Em 1948, o cineasta Alfred Hitchcock tentou fazer um longa metragem inteiro rodado num único plano-sequência, “Festim Diabólico”. Como os maiores rolos de película fabricados eram (e continuam sendo) de 1000 pés (aproximadamente 11 minutos), o filme acabou sendo rodado em 12 planos, com duração entre 4 e 10 minutos cada, e com cortes “invisíveis” (ou seja cortes realizados de maneira que o espectador não os percebesse) entre eles, dando a impressão de um único plano.



A partir dos anos 50 alguns teóricos como André Bazin defenderam a idéia de que o Plano-sequência e a profundidade de campo (tudo que se vê fora do primeiro plano) seriam os principais instrumentos para se atingir o realismo, evitando a manipulação do real que ocorreria durante a montagem e respeitando a liberdade do espectador. Porém vários autores posteriormente chamaram atenção para o fato de que esta concepção de realidade cinematográfica era apenas uma entre outras possibilidades e que muitas vezes um filme editado pode ser muito mais realista do que um plano-sequência.

Assim que a tecnologia digital superou a limitação dos rolos de 11 minutos, experiências mais radicais puderam ser tentadas. Em 2002, Alexander Sokurov rodou “A Arca Russa” em um único plano-sequência de 96 minutos.



No Brasil, em 2008, Gustavo Spolidoro dirigiu “Ainda Orangotangos”, rodado em um único plano-sequência de 81 minutos.

Gostaria que vocês alunos da Oficina de Vídeo Spectaculu fizessem um breve comentário sobre o exercício que realizamos – Improviso # 01. Abraço.